Audiência alerta para as consequências do uso de drogas

Audiência alerta para as consequências do uso de drogas

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) realizou, nesta terça-feira (19), audiência pública para debater sobre danos à sociedade resultantes do uso de drogas, medidas preventivas e possíveis soluções para o problema. O evento aconteceu no auditório da CMC e foi transmitido ao vivo pelo YouTube do Legislativo. A iniciativa (407.00028.2025) foi do vereador Renan Ceschin (Pode) e reuniu, além de outros cinco parlamentares, representantes da área da segurança pública, da saúde e da assistência social.

“A problemática das drogas exige um debate sério, multidisciplinar e contínuo. Os efeitos do consumo não afetam apenas quem usa, mas toda a sociedade: famílias desestruturadas, aumento da criminalidade, evasão escolar e sobrecarga nos sistemas de saúde e de assistência social. Essa audiência pública é uma oportunidade de dar voz a quem lida diretamente com essa realidade, apresentar dados, ouvir propostas e fortalecer a construção de políticas públicas humanizadas e eficazes”, explicou Renan Ceschin. 

Outro vereador que participou do debate foi Da Costa (União), que esteve envolvido no episódio relacionado a outra audiência, promovida por Professora Angela (PSOL), que, entre outros temas, tratou da “estratégia de redução de danos” para os dependentes químicos. O vereador destacou a importância de orientar a população corretamente acerca dos riscos relacionados ao consumo de entorpecentes. 

“Na semana retrasada tivemos a infelicidade de termos uma audiência pública nesta Casa que fazia apologia ao uso de drogas. A divulgação daquela cartilha deixava claro sobre os passos que as pessoas devem fazer para usar qualquer droga. O uso das drogas é uma prática tão nociva à saúde, e você ensinar a usar [Isso] é uma prática desumana. Devemos ensinar como substituir o vício, seja pelo esporte ou pela educação”, sugeriu Da Costa.

Drogas devem ser combatidas, dizem vereadoras

A vereadora Delegada Tathiana Guzella (União) apresentou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que mostram que mais de 300 milhões de jovens usaram drogas no mundo em 2022, o que alerta para a importância de combatê-las nas Casas Legislativas de todo o país. “Eu venho aqui hoje com dados para mostrar para vocês sobre os riscos que o uso de drogas traz à população”. 

Ideia parecida foi compartilhada pela vereadora Carlise Kwiatkowski (PL), que elogiou o colega Renan Ceschin por ter tido a iniciativa de alertar os curitibanos sobre os riscos da dependência química. “O evento de hoje diz não às drogas e demonstra o quanto nós, representantes do povo, temos que trabalhar fortemente contra esse mal que acomete nossa sociedade. Nós estamos aqui para te apoiar Renan e dizer que estamos contra as drogas”. 

“Devemos mostrar a realidade do uso das drogas, pois através do vício muitas vidas são destruídas e é isso que devemos combater”, apoiou a vereadora Andressa Bianchessi (União). Rafaela Lupion (PSD) manifestou seu apoio aos demais oradores e chamou a atenção para um olhar cuidadoso para as pessoas em situação de rua. “Quando eu era administradora da Regional Matriz, ouvia muitas queixas da população sobre uso de drogas e como isso afetava a vida das pessoas em situação de rua”.

Audiência pública drogas 2025 - Ceschin

Prevenção foi o tema principal do debate

Representando o setor da segurança pública, o delegado Renato Bastos Figueiroa, que também é vice-presidente do Centro Estadual de Políticas Sobre Drogas (CEPSD), frisou a necessidade de se investir fortemente na prevenção, especialmente com ações direcionadas ao público jovem. Figueiroa também criticou a forma como a estratégia de redução de danos foi abordada anteriormente na Câmara. “Não se pode confundir uma estratégia que é para um fim específico, para um público que já está na dependência, e que deve ser realizada no ambiente clínico, e simplesmente exteriorizar uma coisa dessa. Isso acaba com o nosso trabalho”, protestou. 

O policial civil Antônio Gabriel Castanheira Júnior defendeu a ideia de que é necessário mostrar as consequências que as drogas trazem, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. “Não devemos só discutir a parte da saúde. É necessário que tiremos essa romantização das drogas, porque ela envolve muitas coisas podres e que devemos combater”, reforçou. “A cada apreensão de drogas que fazemos, nós salvamos vidas”, explicou o chefe do Centro de Operações Policiais Militares (Copom), Paulo Roberto Lima, que discorreu sobre o trabalho da Polícia Militar.

Profissionais da Saúde e da Assistência Social defenderam atendimento humanizado

Alguns pontos de vista relacionados à assistência social e à necessidade de atendimentos de saúde aos usuários de drogas foram trazidos ao debate por profissionais da Prefeitura de Curitiba que atuam diretamente no atendimento aos dependentes químicos. 

“Nossa cidade possui uma atenção à saúde básica muito boa, principalmente com os hospitais assistenciais. Nós também estimamos que 80% da população em situação de rua enfrenta esse problema com as drogas. Entendemos que as drogas realmente são uma fuga daquela situação que eles se encontram. Não estamos aqui para reprimir e nem julgar, mas para mostrar o nosso atendimento a toda a população”, contou Patrícia Vestergaard Dias, coordenadora do programa Consultório na Rua, da Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS). 

Para a coordenadora da Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Luciana da Silva Sidor, a dependência química é uma doença e os dependentes devem ser cuidados de forma digna. “Queremos deixar um recado aqui para a população, que vocês podem nos procurar, pois estamos dispostos a ajudar todo mundo que precise de auxílio físico e mental. A minha função é garantir que a assistência seja para todos, que o cuidado seja humanizado”, disse. 

A prevenção às drogas foi retomada pela coordenadora de Saúde Mental da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas), Juliana Loureiro, que mencionou sobre a necessidade de uma prevenção que cuide do usuário. “Sabemos que as drogas são um tema polêmico, mas estamos aqui para mostrar que existe cuidado e queremos garantir a dignidade de toda a população. Sei que a prevenção, como os vereadores mencionaram, é muito importante, mas é necessário olhar como ocorre o uso dessas substâncias. Por isso acrescento que devemos intervir de forma humana e pensando na questão social de cada um”, explicou.

*Matéria elaborada pela estudante de Jornalismo Mariana Aquino*, especial para a CMC.
Supervisão do estágio: José Lázaro Jr.
Edição: Marcio Alves da Silva. 
Revisão: Ricardo Marques

By Câmara Municipal de Curitiba